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PASSIONAL

.
Acordou mascando a pólvora
com a língua engatilhada
o peito carregado de balas.
Seu sorriso - uma cicatriz -
anunciava a tragédia,
os olhos flamejando
consumiam a paisagem.
E seguia pedindo à sua boca:

mira bem o coração
mata esse impostor.

Comentários

Leila Lopes disse…
O coração, este músculo que suporta pólvora, melhor sorrir e deixá-lo acontecer em paz. Não temos chances mesmo.
Admiro tanto esta sua capacidade de inteireza no poema.
Beijos.
Janaína Calaça disse…
Sou passional, entendo seus versos. Amor para mim lateja, é força, não é mornidão. Sim, entendo seus versos.

Beijos

Jana
Komentarista disse…
Acho que esse foi um dos meus favoritos com certeza... Sentimentos que movem acoes, nem sempre bem pensadas, mas que fazem todo o sentido do mundo (naquele momento pelo menos). COmo anda a vida? Eu to aqui nos USA, estudando muito... Abs!
Lena Casas Novas disse…
Heber é um prazer vê-lo sempre pelo Portal.Ainda mais sabendo que gosta de poesias e aprecia uma boa leitura.Aqui vai ser meu cantinho tb.Grande abs
Lena Casas Novas disse…
Ah, vamos nos linkar?
Paula Negrão disse…
Simplesmente adorei!
Impressionante a profundidade e a clareza, ao mesmo tempo, do seu poema.
Beijos,
tertu disse…
héber,
belo poema!
sim,acho que já li os textos no blog da leila(leiluka).
vasmos contatar.
abs.tertu
tertu disse…
sim,já tinha lido seu comentário.só não sabia que era vc.
sucesso! tertu
Val Freitas disse…
muitas vezes, quando me desespero, enjaulada em um poema, aposto que o próximo vai ser mais fácil, mais compreensivo, menos doloroso. e nunca, nunca é assim. ler poemas como os seus, onde o filtro é mesmo uma luz matinal, daquelas que raramente a gente tem tempo bastante para ver e parar com tudo, me dá certeza de que mesmo quando eu páro, alguém continua. alguém teima tanto quanto eu. alguém, não importa aonde, se desafia permanentemente diante de uma tela vazia, de uma folha em branco, não importa.
além de adorar receber sua visita e sua leitura de mim, nos meus rabiscos, vim ver de perto o que eu já sabia. temos algo em comum. a insana, mágica, livre de nomes e ostentação, poesia.
um beijo, Héber.
Leo Coutinho disse…
clap.clap.clap.clap.clap.clap.clap.clap.
"Feito sangue e enxofre. Partido ao meio, assim ocre e ferro. E pedaços perdidos gritando por todos os lados. Corpo, corpo, corpo, corp, cor..."

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Wordtrack for a long play

Na próxima quarta-feira, 07/06, às 21:00, farei a primeira apresentação do meu solo de spoken word Quem anda distraído não sonha acordado, no XIX Seminário de Línguas e Literatura do curso de Letras do UNASP, em Engenheiro Coelho.

O pocket show, que mistura alguns dos meus poemas e crônicas com músicas remixadas, seria lançado no dia 08/07 apenas, no Espaço Luzeart, em Mogi Guaçu, mas decidi fazer uma pré-estréia ao ser convidado para esse evento. A performance propõe, por meio de uma experiência estética, uma reflexão sobre a imaginação literária. O set list do espetáculo, vocês podem ouvir aqui.

Natureza humana

1

Lampeja a minha noite
Um anjo a piscar o olho insone
Vem chamar-me à janela
Com doce falar de sonhos

Toma-me a mão e me leva
Muros não podem detê-lo
Faz-me um andarilho da lua
Ser como a luz da estrela

2

Já vem chegando a manhã
Logo a cidade desperta
"A noite é uma doce maçã"
O anjo convida a mordê-la

Sinto a manhã derradeira
Insisto com ele por que
O estranho me diz é apenas
A tua natureza humana
.

A memória

Ontem vieram-me à mente, cenas das férias que na infância eu passava na fazenda com os meus primos, em Pernambuco. Não senti nostalgia - não como a que faz a gente querer voltar ao passado. Somente achei insólito que tudo aquilo tivesse mesmo acontecido. Talvez porque a minha vida tenha mudado muito desde então, pareceram-me momentos irreais. Estranhamente, me pareceram eternos também. Julguei a morte inconcebível, se não para todos os homens, com certeza para aqueles intrépidos meninos de engenho. Por isso, eu pensei de repente: dos lugares que podemos visitar neste mundo, a memória é o mais próximo da eternidade.