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Sobre o blog

Olá, meu nome é Héber Sales e este blog serve de hub para meu trabalho literário.  Nele, anoto poemas, narrativas e ensaios, além, é óbvio, de indicar as minhas publicações em revistas como Germina, Cronópios, Mallarmargens e Diversos Afins, dentre outros.

Neste momento, tenho um livro de poesias no prelo, o Notas de rodapé para o silêncio. Alguns dos seus poemas estão aqui. Também tenho circulado com o solo de spoken word Quem anda distraído não sonha acordado, performance em que recito alguns poemas e crônicas junto com músicas remixadas, estimulando uma reflexão sobre a imaginação literária por meio dessa experiência estética.

Atuo também como professor no UNASP, onde coordeno o Grupo de Pesquisa em Semiótica Aplicada em Publicidade e Propaganda. Vocês podem conhecer um pouco mais sobre as minhas pesquisas nessa área clicando em Branding Hipercultural.

Aqui no blog, informo ainda a minha agenda de palestras, leituras e performances. Caso tenha interesse em levar um desses eventos até a sua faculdade, escola ou empresa, escreva-me: hebersales@gmail.com. Será um prazer trocar ideias com você e o seu público.

Um abraço


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Wordtrack for a long play

Na próxima quarta-feira, 07/06, às 21:00, farei a primeira apresentação do meu solo de spoken word Quem anda distraído não sonha acordado, no XIX Seminário de Línguas e Literatura do curso de Letras do UNASP, em Engenheiro Coelho.

O pocket show, que mistura alguns dos meus poemas e crônicas com músicas remixadas, seria lançado no dia 08/07 apenas, no Espaço Luzeart, em Mogi Guaçu, mas decidi fazer uma pré-estréia ao ser convidado para esse evento. A performance propõe, por meio de uma experiência estética, uma reflexão sobre a imaginação literária. O set list do espetáculo, vocês podem ouvir aqui.

Quem anda distraído não sonha acordado

Héber Sales


Muita gente diz: se você prestar atenção, vai perceber a realidade como ela é. Eu digo, porém, que se você de fato prestar atenção, primeiro, vai sonhar, e depois, se continuar atento, verá que a realidade e o sonho são feitos da mesma matéria.

Os que viajam com pressa não sabem disso. Para eles, a distância entre dois pontos é calculada em km ou minutos, elementos que da realidade nada têm. Não têm, por exemplo, aquelas quatro montanhas e três vales que separam a tua casa da minha. Se eles prestassem um pouco mais de atenção, veriam que a estrada, como a cidade, também conta com os seus quarteirões: depois de passar por três cumes, você dobra o último deles e chega onde eu moro.

Esse percurso pode ter os 23 km assinalados naquela placa oficial à beira do asfalto, ou pode ter muitos mais. Depende do estado de espírito de quem nele transita. A saudade, já descobrimos, costuma encompridar os caminhos. Também acontece de, por não desejarmos chegar logo, chegarmos mais rapidam…

A memória

Ontem vieram-me à mente, cenas das férias que na infância eu passava na fazenda com os meus primos, em Pernambuco. Não senti nostalgia - não como a que faz a gente querer voltar ao passado. Somente achei insólito que tudo aquilo tivesse mesmo acontecido. Talvez porque a minha vida tenha mudado muito desde então, pareceram-me momentos irreais. Estranhamente, me pareceram eternos também. Julguei a morte inconcebível, se não para todos os homens, com certeza para aqueles intrépidos meninos de engenho. Por isso, eu pensei de repente: dos lugares que podemos visitar neste mundo, a memória é o mais próximo da eternidade.