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Oito coisas para fazer com preguiça

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Escorregar o ânimo num cago de chuva.
Sentir desejo de planta por travesseiros.
Celebrar a paz das vassouras com as teias.
Vegetar as idéias no pó assentado.
Esquecer do amarelo gritando lá fora.
Embalar um mofo com pão dormido.
Deixar para o limo o amansar as facas.
Querer, só nesta manhã, o desmantelo do tempo.


* Releitura do poema publicado na revista Germina.

Comentários

jorge disse…
Prezado Heber,

Cheguei com o objetivo de comentar teu poema na Diversos e me deparei com "oito coisas ...".
Muito belo o que escreves.
Não podia deixar de registrar aquí um poema que entitulei "Decreto" que, embora não seja tão rico em imagens como o teu, também trata do ócio.

(ler tomando água de coco à beira mar)

Atenção!
Está suspensa a transitoriedade das insignificâncias.
Não é permitida a inspirabilidade do óbvio.
É mandatório o afogamento das circunstâncias.
O status quo deverá ser limpo com papel higiênico.
Será suprimido do vocabulário o beijo sem língua.
No cardápio das quartas-feiras o prato principal será o ócio.
Cada bocejo deverá ser celebrado como profecia.
Ao homem, que não se lhe falte ovos fritos com torresmo, chicletes e água fresca.
Que todos os reflexos sejam queimados nas piras da reflexão.
Para cada ser humano, um momento lento de aurora.

Um abraço,

Jorge
mariza disse…
Héber. gosto tanto do que você escreve. tanto.
obrigada pela visita, há tempos não nos visitávamos, né?
um beijo
Héber Sales disse…
Pois é, Jorge, o ócio tem lá a sua beleza, não é?
Um abraço
Héber Sales disse…
Obrigado, Mariza. Sempre que posso leio tuas narrativas. A de ontem estava realmente especial.
Um beijo.
jugioli disse…
Gostei de vir aqui.
Lindos poemas.

JU
Héber Sales disse…
Que bom você ter vindo, Ju. Visitei o Aquarelas. Gostei muito.
Um abraço
jugioli disse…
Heber, obrigado e vou fazer o link, compartilhar e dialogar é o que conta nesta blogsfera, senão vira monólogo, e acho muito chato.
Viva a interação.

JU
Héber Sales disse…
Sim, Ju, já estou acompanhando o Aquarelas e Grafites. Gostei demais do teu trabalho. Vamos trocando idéias.
Um abraço
Lelena Lucas disse…
gostei muito
Héber Sales disse…
Que bom, Lelena. Obrigado pela visita. Um abraço
Val Freitas disse…
oito coisas, mas esse desmantelo do tempo ao final do poema. eu sempre admirei esse desenlace que você dá na imaginação do leitor. eu pelo menos, ficava pelos primeiros versos já a aimaginar que diacho de fim daria...e aí vem você com a pausa sobre o imponderável: querer só esta manhã. só aquela lá, nenhuma outra mais. em poesia, pra que mais? só esta manhã do poema me basta, nos cerca. e o que nos protege é exatamente a intempestividade...esse desmantelo do tempo caindo sobre nós-nossas manhãs.
Héber Sales disse…
O desenlace, é, Val? Deixa eu pensar nisso um pouco mais...
Heber, libertador esse poema :)
Héber Sales disse…
Que bom, Polyana! Abraços, Héber.
Flávia Muniz disse…
"Sentir desejos de planta por travesseiros" isso é absurdamente bom!


gostei dos poemas!

beijos
"celebrar a paz
das vassouras
com as teias"

Excelente!
Beijo de lira.
AJ Cardiais disse…
Adorei este poema. Parabéns
Héber Sales disse…
Valeu, Cardiais!

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