22.11.09

a felicidade

.
é tão delicado
como cuidar de um pedaço de céu

estar de acordo com o ar
o fogo
as águas e as estações

e não tocar a terra
com ambição
.

25.10.09

livre

.
o céu e a terra
não riem
não choram

com a chegada e a partida
de cada estação:
ser triste ou feliz

é pequeno demais
.

30.8.09

DESTINO

.
O acaso é dublê do destino.

28.4.09

BOA SORTE

.
Já é outono por aqui. O céu
está a todo tempo encoberto.
Tem chovido muito. A casa
a praia andam cheias de sono
e à noite há sempre as pessoas
que buscam em vão as estrelas.

Mas eu hoje cedo, bem de manhã
acordei com a algazarra dos cães.
Lá fora os jasmins floresceram
a lembrança de outra estação.


* Releitura, por sugestão da Mônica de Aquino.

26.4.09

Convite

Daqui à pouco neste domingo, às 18h, estarei lendo e comentando poemas meus na 9a. Bienal do Livro da Bahia. Na programação de hoje, tem ainda os poetas Priscila Fernandes e Moacir Eduão, novos cordelistas da Bahia, Carla Visi cantando Cecília Meireles, além do cantador Sapiranga e suas composições telúricas. Apareçam, será um grande prazer recebê-los lá.

1.3.09

Entrevista com Antonio Cicero

Por Héber Sales

Filósofo, poeta e compositor, parceiro, entre outros, de Marina Lima, Adriana Calcanhoto, João Bosco e Lulu Santos, Antonio Cicero publicou em 2006 o livro Finalidades sem Fim, uma obra que o coloca, a meu ver, no centro de um espaço ainda muito carente na poesia brasileira: o espaço de uma reflexão unificadora e sistemática sobre a arte... [Continue lendo no Cronópios].

12.2.09

O SENTIDO

.
Há os rastros do silêncio
nas palavras, eu sinto
o predador informe
que nos respira

uma selvageria me percorre.

Eu adivinho o êxtase
da refrega, o verso
que me acomete de vertigens

o olhar imponderável
da mais antiga fera.


* Releitura do poema publicado na Diversos Afins de novembro/2007.

2.2.09

OITO COISAS PARA FAZER COM PREGUIÇA

.
Escorregar o ânimo num cago de chuva.
Sentir desejos de planta por travesseiros.
Celebrar a paz das vassouras com as teias.
Vegetar as idéias no pó assentado.
Esquecer do amarelo gritando lá fora.
Embalar um mofo com pão dormido.
Deixar para o limo o amansar as facas.
Querer só esta manhã o desmantelo do tempo.


* Releitura do poema publicado na revista Germina.

1.2.09

OS VESTÍGIOS DE DEUS

.
Só o tempo é fiel para sempre.
Sombra que não teme a noite
as gentes não abandona
em seus túmulos. Antes
cuida dos seus ossos
para gorjeios - o tempo
em seu trabalho intestino
comete os vestígios de Deus.


* Releitura do poema publicado na Diversos Afins de janeiro/2009.

9.1.09

A PRAIA DO SONO

.
À civilização combate
naquela costa brava, erma,
um legítimo almirante:
um mar resoluto, de guerra.

Não faz porém só a peleja
que a olho nu muito imaginam.
Faz coisa pior, sorrateira,
com seu sopro que traz ruína.

Sopro de sono e de morte,
de guardar para arqueologias.
Sopro severo em seu ofício,
que desencarna e coisifica

- que encomenda para fóssil
a aposta humana com a natureza
e que ao domínio de um deserto,
as suas dores e obras entrega.


* Publicado originalmente na Diversos Afins de junho/2008.

25.12.08

O VELHO LIMOEIRO

.
À chuva bastou apenas
cuidar de um verde para a manhã.
O dia está de ave desde o arrebol.

O palavrário eu pus no quarador
para ver se pega cor de riso.
As horas, para ensaiar felicidade.

Em dias assim, o velho limoeiro
se toma um pouco mais de azul
acaba arremedando estrelas.

24.6.08

SONHO E REALIDADE

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A realidade ordinária destina-se àqueles que não suportam a verdade do sonho.

15.3.08

GERMINA EM MARÇO

As palavras cruzadas com o poeta Fabio Weintraub (clique para ler a entrevista) mais nove poemas meus, na revista editada por Mariza Lourenço e Silvana Guimarães. Vocês estão convidados.

22.1.08

CIVILIZADAMENTE

.
Eu queria o divórcio. Ele
não. Disse que se mataria
se eu fosse embora. Então
deixei o amor ir esfriando,
esfriando, até que um dia
consegui dele um motivo
para culpá-lo por tudo.

Barbaridade, às vezes
é dizer toda a verdade
doa a quem doer.

15.1.08

FIM DE FESTA

.
Cada macaco
com o seu falo.