Pular para o conteúdo principal

Postagens

Duas notas sobre o desaparecimento do Homem

1.Quando Foucault escreveu que o Homem estava prestes a desaparecer do horizonte das ciências humanas e o puro discurso era o que lhes restaria como objeto de estudo, ele não imaginava, até onde sei, que sua previsão se cumpriria numa ciência muito diferente: a ciência da computação.Pois bem, neste campo, o desenvolvimento da inteligência artificial só deslanchou a partir do momento em que os cientistas desistiram de descobrir como funciona a inteligência humana de fato - o Homem desapareceu do seu horizonte.Eles deixaram de tentar reproduzir a sua essência, que jamais encontravam, para construir sistemas que, por meios que nada têm de essencialmente humanos, conseguem ainda assim se comportar inteligentemente.A era do puro discurso pode não ter chegado, mas a era da pura inteligência parece ter começado. E eu não estou usando a palavra pura porque tal inteligência seja superior ou perfeita, muito menos desejável. Não se trata de um juízo de valor.2.Quem trabalha com propaganda não po…

O que dizer de si

Suponhamos que o sujeito não consiga ter clareza das suas emoções e dos seus pensamentos até que lhes dê um nome e conte uma história sobre eles, nem que seja para si mesmo somente, em silêncio.
Suponhamos que as palavras em geral não apontem para as coisas em si, mas para outras palavras, que as definem.

Suponhamos que o sentido das palavras esteja inextricavelmente ligado ao contexto social & cultural em que são ditas, tanto o mais imediato quando o mais distante.

Suponhamos que o contexto social & cultural jamais permaneça o mesmo no tempo e no espaço.

O que o sujeito pode dizer de verdadeiro a respeito de si mesmo, da vida e dos livros?

O que pode dizer que não seja tão passageiro quanto a história?

Foucault sobre a literatura moderna

“O que se anuncia [na literatura votada ao ser da linguagem] é que o homem é “finito” e que, alcançando o ápice de toda palavra possível, não é ao coração de si mesmo que ele chega, mas às margens do que o limita: nesta região onde ronda a morte, onde o pensamento se extingue, onde a promessa da origem recua indefinidamente.
“[...] neste espaço assim posto a descoberto, a literatura, com o surrealismo primeiramente (mas sob uma forma ainda bem travestida), depois, cada vez mais puramente, com Kafka, com Bataille, com Blanchot, se deu como experiência: como experiência da morte (e no elemento da morte), do pensamento impensável (e na sua presença inacessível), da repetição (da inocência originária, sempre lá, no extremo mais próximo da linguagem e sempre o mais afastado); como experiência da finitude (apreendida na abertura e na coerção dessa finitude).”
Michel Foucault. “As Palavras e as Coisas - Uma Arqueologia das Ciências Humanas”.

a gratidão

fogo e paixão, como vês a mesma voragem a mesma mesquinhez
andar com coragem viver e deixar viver - do amor, querer mais o que?
sempre que der: um abraço forte
ser grato por cada momento de sorte