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SO BLUE

.
Esse é aquele tipo de azul
que se emprenha de abismos.
Anda por aí mal sossegado,
com fome de vertigens.

Vive de devorar nuvens
e ruminar pesadelos.
Seu arroto espanta brisas,
semeia tempestades.

É um bicho de trincheiras:
viceja no gume das baionetas
e arrasta o peso do chumbo.

Talvez ele até seja
o próprio anjo caído,
pois anda esquivo no obscuro
de certas passagens para o inferno.

Comentários

Analuka disse…
Apreciei o teu azul devorador de nuvens, faminto de vertigens!... Talvez dialogue com o meu, também amante de abismos mas navegador de devaneios: o teu semeia tempestades, o meu espalha flores, ambos viajam nos ventos e, às vezes, na contramão...
Muito bom te visitar!
Um beijo Blue!
Val Freitas disse…
ainda preciso escrever?
tem mesmo certeza?

vc disse tudo do jeito certo, no tom que precisa a tua poesia sempre à busca desses encontros, certos encontros, Heber.
só acrescento: ficou muito melhor que os primeiros rabiscos.

*beijo*
Leila Lopes disse…
Meus olhos enxergam também tantos azuis infernais, parece que sei bem por onde ir.
Héber,
muito bom, adorei!
Bjseajsahu
Hum! Dualidades no azul, esta cor tida como sempre sublime, terna, apaziguadora. Agarro-me aos lampejos de libertação e, num ímpeto inexplicável, salvo-me das regiões abissais do desassossego.

Belo texto! Bravo! Bravo!
Analuka disse…
Desejo

Quero asas de borboleta azul
para que eu encontre
o caminho do vento
o caminho da noite
a janela do tempo
o caminho de mim.

(ROSEANA MURRAY)

...Sim, transitamos entre: suavidades e turbulências... abismos e paraísos... lampejos e relâmpagos!...

Abraços azulados, ambivalentes...
Paula Negrão disse…
Eu ia comentar esse, mas li o anterior e me apaixonei.. bom demais!

Beijos, Héber!
Yuri Assis disse…
tive a visão de um titã, gigante e feroz.
sua poesia... tem algo seco nela, áspero, que machuca quando se toca...
ah, isso não é uma critica! nao entenda como uma critica, é só uma divagação!

abraço!
Yuri Assis disse…
postei mais um poema em meu blog, qdo vc puder, confira!

abraço!
Yuri Assis disse…
pirilampos, salamaleques, patavinas...
um mundo cheio de vida...

abraço!
Analuka disse…
Gavetas
gostam
de bugigangas
e agrados...


Grata pela visita!

Beijo alado azul.
Analuka disse…
"...na teia do tudo..."

Lindo isto!...

Sim, signos, sinais, sentidos...

Beijos azuis estrelados.
Lunna disse…
Talvez ele seja apenas mais um humano a solta.

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Natureza humana

1

Lampeja a minha noite
Um anjo a piscar o olho insone
Vem chamar-me à janela
Com doce falar de sonhos

Toma-me a mão e me leva
Muros não podem detê-lo
Faz-me um andarilho da lua
Ser como a luz da estrela

2

Já vem chegando a manhã
Logo a cidade desperta
"A noite é uma doce maçã"
O anjo convida a mordê-la

Sinto a manhã derradeira
Insisto com ele por que
O estranho me diz é apenas
A tua natureza humana
.

Wordtrack for a long play

Na próxima quarta-feira, 07/06, às 21:00, farei a primeira apresentação do meu solo de spoken word Quem anda distraído não sonha acordado, no XIX Seminário de Línguas e Literatura do curso de Letras do UNASP, em Engenheiro Coelho.

O pocket show, que mistura alguns dos meus poemas e crônicas com músicas remixadas, seria lançado no dia 08/07 apenas, no Espaço Luzeart, em Mogi Guaçu, mas decidi fazer uma pré-estréia ao ser convidado para esse evento. A performance propõe, por meio de uma experiência estética, uma reflexão sobre a imaginação literária. O set list do espetáculo, vocês podem ouvir aqui.