Refusal , de Maria Sidljarevich. Em 2020, todos nós viramos pacientes terminais ao mesmo tempo, uma experiência que até então era, para a nossa geração, absolutamente privada e familiar, ocorrendo aqui e ali, de vez em quando, sob a maior discrição, a não ser que você fosse uma dessas celebridades a frequentar manchetes ou alguma subcelebridade a transmitir nas mídias sociais tudo o que acontece em sua vida. Há poucos dias, eu vasculhava alguns reports da Gartner e, num deles, encontrei uma lista dos riscos existenciais que estamos correndo já faz um bom tempo e preferimos não levar devidamente a sério: além das pandemias, o estudo comentava a inteligência artificial, as armas nucleares, o aquecimento global e a biotecnologia. No caso da covid-19, eu achei desde o início um exagero falar em extinção da espécie, pois a maioria de nós, supus, sobreviveria à doença terminal coletiva, embora ela não fosse exatamente uma gripezinha. Agora, com o mundo preparando-se para a vacina...