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Evolução


Seria demais desejar que um argumento ou uma obra de arte sejam elogiados pelos seus próprios méritos mesmo sendo o seu autor um "macho branco conservador" ou, imaginemos uma outra figura mais ousada, "aquela travesti de esquerda", somente para citar dois dos estereótipos em circulação? Seria exagero imaginar que vamos deixar de procurar apenas o pior nos outros (ou o melhor, se forem da nossa panelinha), para encontrar todos em todos, cada um com a sua inevitável cota de bandido e de mocinho? Sim, seria, sejamos realistas. A humanidade ainda não atingiu tal grau de evolução.

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Wordtrack for a long play

Na próxima quarta-feira, 07/06, às 21:00, farei a primeira apresentação do meu solo de spoken word Quem anda distraído não sonha acordado, no XIX Seminário de Línguas e Literatura do curso de Letras do UNASP, em Engenheiro Coelho.

O pocket show, que mistura alguns dos meus poemas e crônicas com músicas remixadas, seria lançado no dia 08/07 apenas, no Espaço Luzeart, em Mogi Guaçu, mas decidi fazer uma pré-estréia ao ser convidado para esse evento. A performance propõe, por meio de uma experiência estética, uma reflexão sobre a imaginação literária. O set list do espetáculo, vocês podem ouvir aqui.

Quem anda distraído não sonha acordado

Héber Sales


Muita gente diz: se você prestar atenção, vai perceber a realidade como ela é. Eu digo, porém, que se você de fato prestar atenção, primeiro, vai sonhar, e depois, se continuar atento, verá que a realidade e o sonho são feitos da mesma matéria.

Os que viajam com pressa não sabem disso. Para eles, a distância entre dois pontos é calculada em km ou minutos, elementos que da realidade nada têm. Não têm, por exemplo, aquelas quatro montanhas e três vales que separam a tua casa da minha. Se eles prestassem um pouco mais de atenção, veriam que a estrada, como a cidade, também conta com os seus quarteirões: depois de passar por três cumes, você dobra o último deles e chega onde eu moro.

Esse percurso pode ter os 23 km assinalados naquela placa oficial à beira do asfalto, ou pode ter muitos mais. Depende do estado de espírito de quem nele transita. A saudade, já descobrimos, costuma encompridar os caminhos. Também acontece de, por não desejarmos chegar logo, chegarmos mais rapidam…

A memória

Ontem vieram-me à mente, cenas das férias que na infância eu passava na fazenda com os meus primos, em Pernambuco. Não senti nostalgia - não como a que faz a gente querer voltar ao passado. Somente achei insólito que tudo aquilo tivesse mesmo acontecido. Talvez porque a minha vida tenha mudado muito desde então, pareceram-me momentos irreais. Estranhamente, me pareceram eternos também. Julguei a morte inconcebível, se não para todos os homens, com certeza para aqueles intrépidos meninos de engenho. Por isso, eu pensei de repente: dos lugares que podemos visitar neste mundo, a memória é o mais próximo da eternidade.