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RÉQUIEM EM SI MAIOR


Outro dia, com muito pesar me avisaram
Que o meu velho pai estava morto.
De fato, eu até vi no caixão um corpo,
Mas não era ele, isso eu tenho bem claro.

De manhã ainda, um pouco antes do velório,
Um belo garoto, cabeludo e castanho,
com muita alegria e doçura me falou:
Meu tio, é pra você ficar mais à vontade.

E depois correu e abraçou o seu pai,
E o seu pai o abraçou e o beijou também.
E eu não pude deixar de ver neles dois
O mesmo bicho manso, carinhoso e sem maldade:

Eram sem sombra de dúvida o meu pai.


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Natureza humana

1

Lampeja a minha noite
Um anjo a piscar o olho insone
Vem chamar-me à janela
Com doce falar de sonhos

Toma-me a mão e me leva
Muros não podem detê-lo
Faz-me um andarilho da lua
Ser como a luz da estrela

2

Já vem chegando a manhã
Logo a cidade desperta
"A noite é uma doce maçã"
O anjo convida a mordê-la

Sinto a manhã derradeira
Insisto com ele por que
O estranho me diz é apenas
A tua natureza humana
.

Wordtrack for a long play

Na próxima quarta-feira, 07/06, às 21:00, farei a primeira apresentação do meu solo de spoken word Quem anda distraído não sonha acordado, no XIX Seminário de Línguas e Literatura do curso de Letras do UNASP, em Engenheiro Coelho.

O pocket show, que mistura alguns dos meus poemas e crônicas com músicas remixadas, seria lançado no dia 08/07 apenas, no Espaço Luzeart, em Mogi Guaçu, mas decidi fazer uma pré-estréia ao ser convidado para esse evento. A performance propõe, por meio de uma experiência estética, uma reflexão sobre a imaginação literária. O set list do espetáculo, vocês podem ouvir aqui.