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Clichês, ansiolíticos e outras facilidades


Vou parar de fazer pouco caso, questionar e tripudiar de rótulos e clichês. Eles não merecem a má fama que comento. Devo reconhecer confortavelmente que sim, eles têm muita utilidade. Vou carregar alguns comigo por conveniência. Terei sempre esses bons ansiolíticos para distribuir aos companheiros de jornada, especialmente àqueles que caminham comigo não por sua livre escolha mas porque deram o azar de ter que compartilhar alguma obrigação com um notório ranzinza de bom humor.

Logo de manhã, se me responderem "tudo bem" e me perguntarem idem, não direi mais coisas do tipo "como de costume, nem tudo bem, mas por costume, tudo bem". É no mínimo desagradável para a maioria das pessoas, apesar de ser a mais pura verdade, ou talvez por ser exatamente isso - quem quer ser acordado de um sonho bom? Alguns indivíduos ficam levemente consternados e têm um tique nervoso na hora, outros ficam sem jeito, outros riem mas não sabem bem do que, talvez para parecerem espertos ou para não perderem a amizade ("não se deve fechar portas", "ninguém sabe o dia de amanhã", blá, blá, blá). Há inclusive quem pegue no seu pé e lhe acuse de ser um estraga-prazer. E o pior, lhe faça perder seu precioso tempo tendo que explicar o que o camarada não quer entender e até gostaria de silenciar se pudesse.

Não vale à pena tanto drama por causa de um simples rapapé. Nem mesmo aqui nesta crônica. Tenho mais o que fazer. Saco rápido o meu "bom dia, tudo bem", ponto, de praxe, tarja preta, pra boi dormir, e eles ficam alegres, e eles ficam satisfeitos, e eles ficam confiantes, e podem voltar tranquilamente ao seu tédio, e podem tomar as suas decisões como se estivessem fazendo escolhas de fato. E o melhor: me deixam ir catar a minha turma em paz.

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