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A bronca da arte com a beleza


A bronca da arte moderna com a beleza se explica. O artista está mais pra inventor do que pra decorador, e o poeta é mais um hacker da língua do que um beletrista. Era preciso deixar isso claro, nem que fosse a pontapés, urros, uivos e palavrões, no melhor estilo dadaísta. E ainda é, eu acho. O belo, o sublime e o sentimento são apenas brinquedos, assim como o físico. o metafísico e a vida. A brincadeira é o que interessa de fato ao artista. E é o que faz a diferença.
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Para ir além: O mínimo denominador comum da arte

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Wordtrack for a long play

Na próxima quarta-feira, 07/06, às 21:00, farei a primeira apresentação do meu solo de spoken word Quem anda distraído não sonha acordado, no XIX Seminário de Línguas e Literatura do curso de Letras do UNASP, em Engenheiro Coelho.

O pocket show, que mistura alguns dos meus poemas e crônicas com músicas remixadas, seria lançado no dia 08/07 apenas, no Espaço Luzeart, em Mogi Guaçu, mas decidi fazer uma pré-estréia ao ser convidado para esse evento. A performance propõe, por meio de uma experiência estética, uma reflexão sobre a imaginação literária. O set list do espetáculo, vocês podem ouvir aqui.

Quem anda distraído não sonha acordado

Héber Sales


Muita gente diz: se você prestar atenção, vai perceber a realidade como ela é. Eu digo, porém, que se você de fato prestar atenção, primeiro, vai sonhar, e depois, se continuar atento, verá que a realidade e o sonho são feitos da mesma matéria.

Os que viajam com pressa não sabem disso. Para eles, a distância entre dois pontos é calculada em km ou minutos, elementos que da realidade nada têm. Não têm, por exemplo, aquelas quatro montanhas e três vales que separam a tua casa da minha. Se eles prestassem um pouco mais de atenção, veriam que a estrada, como a cidade, também conta com os seus quarteirões: depois de passar por três cumes, você dobra o último deles e chega onde eu moro.

Esse percurso pode ter os 23 km assinalados naquela placa oficial à beira do asfalto, ou pode ter muitos mais. Depende do estado de espírito de quem nele transita. A saudade, já descobrimos, costuma encompridar os caminhos. Também acontece de, por não desejarmos chegar logo, chegarmos mais rapidam…

O que é um poema

Um poema é aquele texto cujo significado não pode ser dito a não ser daquela maneira, afirmou Ferreira Gullar nesta entrevista.

É uma tese ousada, que desafia o senso comum, tão acostumados que estamos a entender um discurso qualquer por meio de um outro que o explique, como se uma coisa valesse pela outra. Merece uma boa discussão.


Se aceitamos a ideia do poeta, podemos questionar de que serve a leitura crítica de um poema se o seu significado não pode ser expresso de uma outra forma. E o que dizer da tradução? Impossível.

Mas a definição do Gullar tem o mérito de revelar de que padecem os poetas em seus devaneios líricos: a troca de uma palavra apenas, uma só vírgula que mude de lugar, um ponto final que se ponha ou se tire, a recorrência de um som ao longo de um trecho, um verso com uma sílaba a menos, etc. - qualquer uma dessas pequeninas coisas podem alterar o significado de um poema.

De certo modo, essa não é uma experiência estranha às nossas conversas do dia a dia, quando bagu…