Pular para o conteúdo principal

breve borboleta
ninguém lhe avisou
não é primavera


~

(1) esse haikai recria livremente um outro haikai, de Rainer Maria Rilke, apresentado a seguir numa tradução bastante literal do Alberto Marsicano.

Kleine Motten taumeln schauernd quer aus dem Buchs;
sie sterben heute Abend und werden nie wissen
dass esc nicht Frühling war

Pequenas mariposas oscilam sinistramente pelo bosque;
morrem hoje à noite e jamais saberão
que não era primavera


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Wordtrack for a long play

Na próxima quarta-feira, 07/06, às 21:00, farei a primeira apresentação do meu solo de spoken word Quem anda distraído não sonha acordado, no XIX Seminário de Línguas e Literatura do curso de Letras do UNASP, em Engenheiro Coelho.

O pocket show, que mistura alguns dos meus poemas e crônicas com músicas remixadas, seria lançado no dia 08/07 apenas, no Espaço Luzeart, em Mogi Guaçu, mas decidi fazer uma pré-estréia ao ser convidado para esse evento. A performance propõe, por meio de uma experiência estética, uma reflexão sobre a imaginação literária. O set list do espetáculo, vocês podem ouvir aqui.

Quem anda distraído não sonha acordado

Héber Sales


Muita gente diz: se você prestar atenção, vai perceber a realidade como ela é. Eu digo, porém, que se você de fato prestar atenção, primeiro, vai sonhar, e depois, se continuar atento, verá que a realidade e o sonho são feitos da mesma matéria.

Os que viajam com pressa não sabem disso. Para eles, a distância entre dois pontos é calculada em km ou minutos, elementos que da realidade nada têm. Não têm, por exemplo, aquelas quatro montanhas e três vales que separam a tua casa da minha. Se eles prestassem um pouco mais de atenção, veriam que a estrada, como a cidade, também conta com os seus quarteirões: depois de passar por três cumes, você dobra o último deles e chega onde eu moro.

Esse percurso pode ter os 23 km assinalados naquela placa oficial à beira do asfalto, ou pode ter muitos mais. Depende do estado de espírito de quem nele transita. A saudade, já descobrimos, costuma encompridar os caminhos. Também acontece de, por não desejarmos chegar logo, chegarmos mais rapidam…

A bronca do velho Buk contra a poesia

No dia 19 de maio de 1984, o poeta Charles Bukowski escreveu para William Packard, editor da New York Quarterly, uma carta* em que atacava com argumentos afiados a maior parte da poesia produzida no mundo até então. Sobraram poucas exceções. A bronca toda pode ser resumida em algumas poucas frases que copio abaixo.


"A poesia [que me mostraram na escola] simplesmente não era legal, era uma coisa falsa, não importava." "Os poetas que eram enfiados nas nossas goelas eram imortais, mas não eram nem perigosos nem interessantes." "A poesia nunca teve muitos atrativos, e ainda não tem. Sim, sim, eu sei, houve Li Po e alguns dos primeiros poetas chineses que conseguiam compactar grande emoção e grande verdade em poucos versos simples." "Não acho que seja uma virtude especial o fato de um poema não poder ser entendido." "A poesia pode ser divertida, pode ser escrita com clareza espantosa, não entendo por que precisa ser de outro jeito, mas é."…