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PRAIA DO SONO

.
À civilização combate
naquela costa brava, erma,
um legítimo almirante:
um mar resoluto, de guerra.

Não faz porém só a peleja
que a olho nu muito imaginam.
Faz coisa pior, sorrateira,
com seu sopro que traz ruína.

Sopro de sono e de morte,
de guardar para arqueologias.
Sopro severo em seu ofício,
que desencarna e coisifica,

que encomenda para fóssil
a aposta humana com a natureza
e ao domínio de um deserto,
as suas cores e obras entrega.


* Publicado originalmente na Diversos Afins de junho/2008.

Comentários

L. Rafael Nolli disse…
Forte poema. Fala dessa guerra diária e contínua contra essa força sublime, incansável. E, me soou como uma bela metáfora para essas tantas guerras - humunas - que ocorrrem ao montes. Abraços!
adelaide amorim disse…
Belo poema, Héber.
Saudade de você! Em fevereiro volto aqui, estou em férias e quase sem conexão.
Beijo.
Héber Sales disse…
Caro Nolli, você sempre acrescenta significados novos ao que escrevo. Gosto muito disso. Um abraço!
Héber Sales disse…
Querida Adelaide, vi que voltaste a todo vapor. Que bom! Um beijo

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