Pular para o conteúdo principal

O INTERDITO

.
..................................................Na via pública
..................................................um grito sorri
....................................................inter
....................................................ditado

..................................................Não se pode sub
..................................................verter ao meio
..................................................de um dia útil

...................... ...........................lembra o cidadão

..................................................apertando o nó
........................................................a gravata
.....................................................a nexos

Comentários

Graça Carpes disse…
... E então estende-se o grito às extremidades.
Bjo
:)
Bela provocação, meu caro! O que fazer quando não pudermos subverter certas artimanhas da rotina? O grito aglutina um desejo de não se tornar autista.

Abraços!!
lau siqueira disse…
às vezes parece mesmo que a vida é um grito contido, Heber. E às vezes, que toda arquitetura que nos cerca, é linguagem.
Enfim, a poesia é a alma humana transcendendo as engrenagens desse pós-futurismo que nos comprime e nos dilata em nossas circunstâncias.
abração!
Lau
Alice Sant´Anna disse…
não se pode subverter ao meio de um dia útil? gostei.

beijo!
Neuzamaria Kerner disse…
Héber,
estou aqui apertanto o nós da gravata, embora não use, só pra ficar elegante e cheia de salamaleques só pra ler os seus poemas.
Achei genial a idéia de colocar uma palavra dando um link para outro poema.
Parabéns! Não é à toa que você partilha dos nossos espaços diversos. Já adicionei nos meus favoritos pra poder voltar sempre.
Um grande abraço, daqueles que só os baianos sabem dar.
Neuzamaria

Postagens mais visitadas deste blog

O que é um poema

Um poema é aquele texto cujo significado não pode ser dito a não ser daquela maneira, afirmou Ferreira Gullar nesta entrevista.

É uma tese ousada, que desafia o senso comum, tão acostumados que estamos a entender um discurso qualquer por meio de um outro que o explique, como se uma coisa valesse pela outra. Merece uma boa discussão.


Se aceitamos a ideia do poeta, podemos questionar de que serve a leitura crítica de um poema se o seu significado não pode ser expresso de uma outra forma. E o que dizer da tradução? Impossível.

Mas a definição do Gullar tem o mérito de revelar de que padecem os poetas em seus devaneios líricos: a troca de uma palavra apenas, uma só vírgula que mude de lugar, um ponto final que se ponha ou se tire, a recorrência de um som ao longo de um trecho, um verso com uma sílaba a menos, etc. - qualquer uma dessas pequeninas coisas podem alterar o significado de um poema.

De certo modo, essa não é uma experiência estranha às nossas conversas do dia a dia, quando bagu…

Wordtrack for a long play

Na próxima quarta-feira, 07/06, às 21:00, farei a primeira apresentação do meu solo de spoken word Quem anda distraído não sonha acordado, no XIX Seminário de Línguas e Literatura do curso de Letras do UNASP, em Engenheiro Coelho.

O pocket show, que mistura alguns dos meus poemas e crônicas com músicas remixadas, seria lançado no dia 08/07 apenas, no Espaço Luzeart, em Mogi Guaçu, mas decidi fazer uma pré-estréia ao ser convidado para esse evento. A performance propõe, por meio de uma experiência estética, uma reflexão sobre a imaginação literária. O set list do espetáculo, vocês podem ouvir aqui.

Quem anda distraído não sonha acordado

Héber Sales


Muita gente diz: se você prestar atenção, vai perceber a realidade como ela é. Eu digo, porém, que se você de fato prestar atenção, primeiro, vai sonhar, e depois, se continuar atento, verá que a realidade e o sonho são feitos da mesma matéria.

Os que viajam com pressa não sabem disso. Para eles, a distância entre dois pontos é calculada em km ou minutos, elementos que da realidade nada têm. Não têm, por exemplo, aquelas quatro montanhas e três vales que separam a tua casa da minha. Se eles prestassem um pouco mais de atenção, veriam que a estrada, como a cidade, também conta com os seus quarteirões: depois de passar por três cumes, você dobra o último deles e chega onde eu moro.

Esse percurso pode ter os 23 km assinalados naquela placa oficial à beira do asfalto, ou pode ter muitos mais. Depende do estado de espírito de quem nele transita. A saudade, já descobrimos, costuma encompridar os caminhos. Também acontece de, por não desejarmos chegar logo, chegarmos mais rapidam…