Pular para o conteúdo principal

testamento

.
quando eu morrer,
deita-me no solo
sem mais nada -
esqueça os civilizados,
mortalha, esquife ou fogueira:
enterra-me nu,
não me negues à minha mãe.

quero no aconchego do seu colo
estar ligado às raízes,
trepar caules galhos e flores
e gozar na boca de um colibri,

fazer amor com abelhas
sem nenhum pudor ou malícia
e então voltar à terra em sementes,
o que eu nunca deixei de ser.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Natureza humana

1

Lampeja a minha noite
Um anjo a piscar o olho insone
Vem chamar-me à janela
Com doce falar de sonhos

Toma-me a mão e me leva
Muros não podem detê-lo
Faz-me um andarilho da lua
Ser como a luz da estrela

2

Já vem chegando a manhã
Logo a cidade desperta
"A noite é uma doce maçã"
O anjo convida a mordê-la

Sinto a manhã derradeira
Insisto com ele por que
O estranho me diz é apenas
A tua natureza humana
.

Wordtrack for a long play

Na próxima quarta-feira, 07/06, às 21:00, farei a primeira apresentação do meu solo de spoken word Quem anda distraído não sonha acordado, no XIX Seminário de Línguas e Literatura do curso de Letras do UNASP, em Engenheiro Coelho.

O pocket show, que mistura alguns dos meus poemas e crônicas com músicas remixadas, seria lançado no dia 08/07 apenas, no Espaço Luzeart, em Mogi Guaçu, mas decidi fazer uma pré-estréia ao ser convidado para esse evento. A performance propõe, por meio de uma experiência estética, uma reflexão sobre a imaginação literária. O set list do espetáculo, vocês podem ouvir aqui.