Voltar ao Nordeste, não por saudade, nem por bairrismo, tão pouco de um modo exterior, como se procurasse por um lugar entre coordenadas precisas: voltar para compreender o que há do Nordeste em mim. Voltar com saudade, não da terra, não dos costumes ou do folclore, mas voltar com saudade do meu pai, que tinha o Nordeste em sua alma, não em seus hábitos. Na verdade, o Nordeste, para ele, resumia-se a poucos gestos: comer cuscuz todo dia, ouvir novamente Asa Branca, "a canção mais bonita do mundo", e cometer um ato de bravura de vez em quando - ou de brabeza, que é outra coisa, ele advertia. Lá em casa, nos acostumamos a vê-lo como um sujeito manso, tímido até, mas onde cresceu, em Catende, zona da mata de Pernambuco, havia gente que lembrava de um jovem magro, elegante e brabo, o Amarelo de Zé de Sales, que, para a surpresa de todos, tornou-se de um dia para o outro, no final dos anos 60, protestante, indo logo estudar em um seminário rural, onde eu nasci. Qu...